Golpe mortal na escova progressiva
EUA proíbem o uso de formol no alisamento dos cabelos, mas, apesar dos alertas, no Brasil, a prática continua disseminada
João Loes
Uma decisão do United States Food and Drug
Administration (FDA), órgão que regula o mercado de cosméticos
americano e é referência para agências semelhantes em todo o mundo,
reacendeu a polêmica em torno das escovas progressivas feitas à base de
formol. Em carta de alerta publicada no final de agosto, o órgão
classificou o Brazilian Blowout – que, apesar do nome, não é brasileiro e
promete manter os cabelos lisos por até 12 semanas – como um produto
perigoso à saúde por conter até 10,4% de formol na fórmula. O índice
permitido por lei é de 0,2%. Usar ou aplicar produtos com essa
concentração pode trazer uma série de consequências danosas para a
saúde. “E destrói o cabelo”, afirma Sérgio G., cabeleireiro do Studio
W., em São Paulo.
Alheios a esses perigos, os salões nacionais enchem os cofres de dinheiro alisando milimetricamente as madeixas das brasileiras. Mas por que as mulheres continuam fazendo a escova com alta concentração de formol, se todos sabem que ela danifica seriamente o cabelo e faz mal a saúde?
Alheios a esses perigos, os salões nacionais enchem os cofres de dinheiro alisando milimetricamente as madeixas das brasileiras. Mas por que as mulheres continuam fazendo a escova com alta concentração de formol, se todos sabem que ela danifica seriamente o cabelo e faz mal a saúde?
SACRIFÍCIO
"Prefiro meu cabelo morto e quietinho
no lugar do que vivo e voando por aí",
diz Marísia Amaro, 39
Mas como o formol é um produto barato e fácil de encontrar, e a procura é enorme, muitos salões continuam fazendo a escova instantânea. Desde 2009, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alerta para os perigos do procedimento com produto irregular e dá alternativas para o alisamento. Mas quem se acostumou com a química tem dificuldade de abandoná-la. Até quem tenta acaba esbarrando em outro problema: há muito produto no mercado que se diz livre de formol, mas no rótulo lista ingredientes como metileno glicol, formalina, óxido de metileno, aldeído fórmico, metanal, oximetano e oximetileno – todos variações de formol. Cabe à Vigilância Sanitária fiscalizar quem vende alisamentos milagrosos. E às consumidoras duvidar de quem promete coisas impossíveis.
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